sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Suave Veneno...

Faz algum tempo venho pesquisando um assunto muito interessante, os chats – as salas de bate-papo. Curioso o assunto. Entrei há poucos meses numa dessas salas. A princípio, me questionando sobre o quê precisamente eu estaria fazendo ali, mesmo tendo como intuito, conhecer mais profundamente o comportamento desse espaço. Interessante a forma como as coisas acontecem nesse pequeno espaço de tela ao transmitir para cada um de nós, a idéia de um universo em rede. Um universo presente e tão artificial ao mesmo tempo. Presente, por ser uma realidade para cada pessoa que dele participa... artificial (risos) pela mesma razão, mas e ao mesmo tempo, por ser uma atitude ilusória revestida por um nickname. Na realidade, para muitos (ou maioria) como um ponto de fuga. Um espaço onde você pode levar ao extremo algumas situações, que seriam inimagináveis numa realidade vivida a cada momento da vida.
Assim, as salas funcionam. Como uma grande tela de um filme somente legendado. Onde cada história do escrito ali, faz o imaginário perceber as imagens que se quer ter. Mas nunca uma imagem real, mesmo que dali se vá para outro espaço como o MSN. Acredito que, com raríssimas exceções, algumas relações passem ao outro plano, saindo assim desse imaginário coletivo. Conheci algumas poucas histórias de vida, que começaram nas salas. Importante frisar, que estas relações passaram por momentos conflitantes e de desgastes, o que mais uma vez, reafirma minha idéia inicial da existência de um mundo de artificialidade, mesmo quando as intenções se voltam para um afeto direcionado ao plano real. Afinal, do outro lado da tela, mesmo em situação irreal para nós, também existem pessoas. E, querendo ou não, movidas por sentimentos de sonhos, dores, frustrações, alegrias, tristezas, maldade, bondade... Enfim, tudo aquilo que é próprio do humano.
Vou contar neste blog, algumas situações ocorridas, sempre voltando o meu pensamento a uma análise de cunho pessoal, repito, de cunho pessoal. Minha intenção na realidade seria transformar estes relatos em um livro romantizado pelas histórias que conheci. Mas, por conta dos altos custos para efetivamente colocar esta idéia em prática, resolvi colocar neste blog, que, tenho certeza, alcançará leitores tanto internautas, como apenas visitantes na internet.
Espero receber comentários sobre todos os escritos e pretendo, lógico, continuar a visitar as salas. Claro, sempre com maior atenção às que eu já conheço e também sou conhecida.
Um abraço carinhoso e boa leitura. Esperarei sempre por você neste espaço.
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A primeira coisa que se faz para estar numa sala de bate-papo é escolher um nickname. É isso mesmo, roubar de alguém ou de alguma coisa o nome que possa ser seu ali. Mas, quando entrei numa dessas salas, resolvi usar meu apelido, não queria ter nome de outro ou de outra coisa. Mas sim um nome que tivesse a ver comigo mesma. (risos) Ledo engano... a coisa não funciona desta forma. Existe nessa rede uma transposição daquilo que há de mais afetado no humano e que não permite que a intimidade pessoal possa se revelar sem intenções nesse espaço. E, as intenções maioria das vezes não são as melhores. O anonimato exerce um poder sobre todos. O que melhor explicaria isto, é o conhecimento da mitologia grega ao se referir ao Anel de Giles. Nosso panteão de sonhos, nestas salas, remete-nos maioria das vezes ao mais rudimentar comportamento. As gozações, as insinuações maldosas e picantes, atropelam os valores. (riso) Nem sempre o que é boa intenção, tem força suficiente para manter equilíbrio nesses espaços. E, os conflitos se dão de maneira, por vezes, absurdas... (riso)
Expressões usadas de forma agressiva, são sempre o cartão de visitas de abordagens de Nicks masculinos para os femininos e vice-versa. Ainda assim, dentro desses espaços, a alma feminina mantém os sentimentos mais primitivos em relação a essas abordagens... quando não choram, e nos contam no reservado, xingam a mãe de quem as abordou... (risos). Pedir socorro, não adianta. Ninguém socorre. Até mesmo porque ali, lá, nesse lugar, está cheio de “ninguéns”. E, se ninguém resolver juntar-se com outro ninguém, fatalmente passará a ser ninguém ao quadrado – e, na música diz “... cada um no seu quadrado.” (risos)

Resolvi então escolher um nickname... Deveria ser um que ficasse bem em mim. Como sou ligada ao universo musical, quis ter um nick que também fosse musical. Depois de uma seleção optei pelo nome de uma música que gosto muito e que me faz bem ao ouví-la. Já de posse do nick, lá vou eu para uma nova jornada nas salas. Agora era escolher uma sala em que eu pudesse permanecer por mais tempo, que fosse uma espécie de base. Onde eu pudesse estabelecer vínculos de convivência nesse universo ilusório(risos).
Entrei e saí de várias salas, lia coisas que me enviavam no reservado. Umas interessantes fazendo referências ao meu nick. Outras absurdas, abusivas e às vezes até me causando um certo asco. Incrível, como mesmo à distância, os signos conseguem nos remeter a simbologias que travam no íntimo da gente significados e significâncias que mexem com o lado pessoal. (riso) Seres humanos... bahhhh!

Parava para pensar sobre qual estilo de ser habita esse espaço. Sim, humano, lógico! Mas isso não me satisfazia. A pergunta que me vinha e ainda vem à cabeça é: qual tipo de humano habita esse espaço? E outras tantas perguntas, que ainda não consigo responder a contento.
Têm salas que a loucura chega ao extremo da desorganização coletiva em conversações transversais e com ofensas gratuitas. Minha curiosidade sempre me levava a perguntar a algum nick, o que eu via ser mais cumprimentado e/ou solicitado na sala, o porquê de tais agressões. A resposta me vinha, antes, com uma cantada, depois com explicações das mais ridículas possíveis. (risos). Então eu saía dessa sala e entrava em outra. Ficava por algum tempo vendo como era o funcionamento dela. Como se relacionavam ali, aqueles nicks.
Engraçado, a solidão é sempre o motivo de inscrições nas salas. A partir dos nicks. Muito comum em muitas salas, nicks que se referem à solidão, tanto no masculino, quanto no feminino. A segunda opção é a sexual. A exposição de nicks com inscrições sexuais é demasiada. Cada um pior que o outro. A impressão é, que de alguma forma existe uma auto-afirmação necessária à permanência de alguns, já que o anonimato impede a visualização de uma suposta sensualidade. (risos) Eu, por minha vez, começava a entender esse jogo, pois começava a acontecer comigo histórias dessas relações atribuídas ao meu nickname. (risos) Confesso, no início, ficava irada com as insinuações. Mas logo depois resolvi tirar proveito e fazer grandes brincadeiras em torno dele. Comecei mesmo a gostar no meu nick. Composto, era um nick que ora me divulgava com certa ternura e, ora me colocava numa condição de mistério e perigosa.(muitos risos) Assim, passei a ser a Suave Veneno da sala 40. Suave para muitos e Veneno para outros. De certa forma, muito agradável ser chamada de Suave... (risos) E, a música, por sua vez, virou meu tema na sala.

A salas que escolhi, depois de algumas andanças, foram muito boas escolhas. Lá encontrei com pessoas de caráter que viraram amigas, vindo até mim pessoalmente e outras, por distâncias geográficas, somente através do MSN, telefone e e-mail. Mas consegui estabelecer uma relação de amizade muito gostosa com estas. E, estes amigos, me faziam, a toda hora, rever conceitos relativos às comunicações que se dão através de rede. Claro, hoje as comunicações se dão dessa forma em maior parte do planeta. E quem está fora, está também longe das transformações socioculturais, sócio-antropológicas etc. O mundo exige que estejamos antenados na velocidade dos acontecimentos. E esta rapidez tem nome... internet!!!
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6 comentários:

  1. Oi kelida miga... parabéns!!!

    Eu ,Ametista(nikname) estou visitando aki que delixiaa este seu blog.Sei ke foi feito de core,estarei sempre aki para ver as histórias pois, poderei estar nelas rs...risos.Eu falo assim no chat ,por isso kis falar aki tb coisa de vó imitando netos rsr risos.
    Mais é um ENORME prazer poder usufruir da sua amizade e dizer ficou lindhuuuuu.
    Beijokas deluz
    doloo-te Nina

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  2. Vc é toda Suave, na aparência, no que escreve, no que fotografa. Estou adorando ler tudo no seu blog. Agora quero ler também a dona do Blog. Não é cantada, é verdade o meu desejo. Adorando tudo. Beijos.

    André

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  3. Sempre quiz saber como era a Suave Veneno... vixe... que Veneno Suave viiiiixxxeeeee...
    Como escreve além de tudo gotei muito

    Rogério

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  4. Bom dia...
    Acordar o meu dia com a sua fazendo uma leitura do que vc escreve é muito gratificante. Considero vc uma poetisa. Nem preciso considerar, vc é uma poetisa. Parabéns pela forma como escreve. Muito interessante as suas colocações em todos os seus textos. Muito bom vir aqui e ler tudo isso. Quero ser a primeira a comprar o seu livro. Vai ter um livro não é mesmo? Tem que ter um livro. Fica com Deus e boa sorte amiga.

    Mariana

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  5. Muito mais suave, e põe suave nisso.
    Gostei Suave. Parabéns!

    Navegante (meu nick)

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  6. Já te vi por aí. E já havia gostado do que havia visto. Hj, cai sem querer na sala 40 (rs) e vi teu blog. Huuumm, identifiquei-me de cara.Sinto as mesmas coisas. Quero amigos inteligentes, talvez até uma sutil cantada naquele momento baixo astral, mas o ser humano, na sua mente tacanha, acha q estamos atrás do sexo virtual (fico p da vida). E estamos atrás do companheirismo escondido, da risada gostosa acompanhada de todas as verdades do mundo. Tb adoro musica. Gosto de poesia. Mas onde estão nossos afins? Parabéns. De veneno, não tens nada. Tens sensibilidade, amizade, respeito e uma cabeça legal.Tb acho as salas chatas, em muitas das vezes. Isso quando queremos, necessitamos de vitalidade e não a encontramos. Beijos,
    MEDUSA da sala 1 (madrugada)

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